O trabalho já é feito rotineiramente em Cacoal, mas com a chegada da frente fria do Sul do continente ao Brasil, atingindo até mesmo estados do Norte, como Rondônia, os integrantes da Secretaria de Assistência Social e Trabalho (Semast) intensificaram o contato com moradores de rua no município. Na noite desta terça-feira (18), o secretário Elias Moisés, acompanhado da assistente social, Sidineide Brito, a Cidinha, percorreram ruas de Cacoal, da marginal da BR, passando pelas ruas centrais, prédios com marquise até a rodoviária, conversando com essas pessoas, oferecendo abrigo e comida. A maior dificuldade é a resistência dos moradores de rua em aceitar ir até o abrigo, já que preferem ficar nas ruas em razão de conseguirem dinheiro de esmola, mesmo tendo que passar frio, fome e muitas vezes serem vítimas de violência.

Mesmo com as dificuldades de convencer os moradores de rua, o trabalho liderado por Elias Moisés conseguiu levar à Família Ágape, única instituição que aceitou receber as pessoas levadas pela Semast, uma pessoa abandonada. Trata-se de um senhor de 70 anos chamado Candido (o sobrenome será preservado em razão da família), que há quatro anos vive pelas ruas de Cacoal. Vindo de São Paulo e sem familiares na cidade, ele procura atendimento médico e todo apoio para que receba esse atendimento também foi oferecido pela Semast, inclusive com transporte.

Outra surpresa na noite desta terça foi encontrar três jovens da Igreja Adventista oferecendo comida e roupas às pessoas que estão em situação de abandono e rua. Uma das pessoas que aceitou a comida, roupas e oração foi o jovem chamado Cristofer, que mesmo aceitando comida e roupas, se recusou a ir ao abrigo, onde teria ainda uma cama pra dormir e lugar para tomar banho.

Mário Trajano Silva Filho, que administra o abrigo da Família Ágape, mantido pelo Ministério Ágape, diz que já recebeu em uma noite 18 moradores de rua trazidos pela Semast, mas que sabe da resistência deles em ir ao local, que só atende homens adultos. Comprovando a afirmação do secretário Elias Moisés, de que eles conseguem dinheiro nas ruas, Mário diz que recebeu de um dos atendidos R$ 500, que estão guardados desde então. O homem que deixou esse dinheiro foi um dos que se recusou a ir ao abrigo na noite desta terça.

Para Elias Moisés, só há um meio de retirar as pessoas da condição de rua, que é a população não dar dinheiro e que até que a Casa de Passagem da Prefeitura esteja pronta para receber os moradores de rua, o apoio da Família Ágape é fundamental.

Sobre as dificuldades de retirar as pessoas das ruas, pela resistência deles em ir ao abrigo, Elias Moisés diz que retirar apenas uma pessoa do sofrimento, como foi feito na noite da terça, já vale o esforço, que continuará sendo feito, como forma de levar dignidade a essas pessoas.