O espaço será construído no meio da reserva indígena 7 de setembro, na aldeia Gabgir, a 18 km da sede central, em um local sagrado para os suruís, entre pedras, cachoeira e belezas naturais. Neste lugar viveu o ancião patriarca da família, o cacique Wãwã Ixotih, que dá nome ao instituto criado para fomentar o turismo. Filho de Ixotih, o cacique Joaquim Suruí, sonhou com a ideia de manter a cultura original e apresentar os suruís para o mundo.

O sonho do cacique Joaquim Suruí foi um legado deixado aos seus descendentes. Agora, o filho Anderson Suruí, que é professor indígena, o coloca em prática. “A ideia é transformar o centro em uma referência local, nacional e internacional, uma espécie de start up indígena. Um centro de inovação para que a gente fortaleça e mostre nossa cultura”, explicou.

Nesta semana eles apresentaram o projeto que será executado para a construção do Centro de Inovação e Intercâmbio Palagah Global. A iniciativa tem apoio da Prefeitura de Cacoal, Funai, Distrito Sanitário Indígena (Dsei), Seduc e apoio da Slegers Family, da Alemanha.

Cultura e ancestralidade

Nas malocas construídas com palha de babaçu, as mulheres indígenas de 54 famílias suruís, vendem seu artesanato. Colares, vasos de cerâmica, brincos de penas, cestos de palha, garantem parte da subsistência das famílias. Os homens trabalham nas lavouras de café e criação de gado.

Riqueza cultural

A riqueza cultural, as histórias e a força da tradição são mantidas. O artesanato indígena tem toda uma ritualística de produção. Na aldeia 100 mulheres produzem os vasos de cerâmica, um dos trabalhos mais lindos e minuciosos. Edna Suruí contou que só as anciãs detêm o conhecimento sobre a técnica, passado a tempo para a próxima geração. Elas colhem a argila e um local secreto, e apenas algumas mulheres participam do processo. “A gente vai para um lugar especial para recolher a argila e ninguém pode saber onde é, as mulheres grávidas e as que estão menstruadas não podem participar”, disse.

Turismo

Além da cultura os cenários amazônicos são atrativos importantes para o turismo, tanto de passeio quanto de eventos e intercâmbio cultural. O espaço deve sediar cursos, palestras e troca de experiências culturais. O fortalecimento do setor é foco do trabalho da Prefeitura de Cacoal, em parceria com outras entidades. Segundo o secretário de Indústria, Comércio e Turismo, Elias Nunes, o trabalho no desenvolvimento do turismo é fundamental para a manutenção da cultura.

Cacoal apareceu este ano em destaque no mapa do turismo regional, divulgado recentemente pelo Ministério do Turismo, subindo da categoria C para a categoria B.

Em Rondônia são 25 municípios no Mapa do Turismo, Cacoal aparece entre os municípios mais bem posicionadas no interior. O turismo rural e turismo em terras indígenas é um dos focos do trabalho. “Este destaque no mapa do turismo é um estímulo para estruturar o turismo, temos trabalhado em várias frentes, com o reestabelecimento e organização do Conselho Municipal de Turismo, e temos tudo para crescer, tendo em vistas as belezas naturais e a cultura tradicional como atrativos”, concluiu Elias.